Eclesiástico
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Máximas diversas

Quanto melhor é repreender do que irritar-se, e não impedir de falar aquele que confessa a sua falta! Como o eunuco que, concupiscentemente, procura desonrar a donzela,

Assim é o que, por violência, faz um julgamento injusto.

Como é bom que o corrigido manifeste o seu arrependimento! Assim evitarás o pecado voluntário.

Há quem, estando calado, seja tido por sábio, e quem se torne odioso por ser descomedido no falar.

Há tal que se cala por não saber falar; e há tal que se cala, porque sabe qual é a ocasião oportuna.

O homem sábio está em silêncio até um certo tempo, mas o leviano e o imprudente não esperam a ocasião.

Aquele que fala muito prejudica a sua alma, e aquele que injustamente se excede será detestado.

O homem sem disciplina pode ser bem sucedido no mal, porém aquilo que ele inventa pode converter-se em sua própria ruína.

Há dom que não é útil, e há dom que é duplamente recompensado.

Há glória que leva à ruína, e há humilhação seguida de exaltação.

Há quem compre muitas coisas por baixo prego, mas que (de fato) as paga pelo séptuplo do seu valor.

O sábio torna-se amável pelas suas palavras; porém as graças dos insensatos perder-se-ão.

O donativo do insensato não te será útil, porque ele tem sete olhos para te considerar.

Ele dará pouco, e lançá-lo-á muitas vezes em rosto; quando a sua boca se abre, é como um incêndio.

Um empresta hoje, e torna-o a pedir amanhã: homem assim torna-se odioso.

O insensato não terá amigo, e o bem que ele faz não será agradecido,

Porque os que comem o seu pão têm língua falsa. Quantas vezes e quantos homens escarnecerão dele?

De fato dá, sem discernimento, o que devia reservar, e também aquilo que não devia guardar.

A falta duma língua enganadora é como uma queda sobre o pavimento; assim a ruína dos maus virá de súbito.

O homem desagradável é como um conto vão, que anda sempre na boca de gente mal educada.

Será mal recebida a máxima procedente da boca do insensato, porque não a diz a seu tempo.

Há quem se abstenha de pecar por falta de meios, e sofra por ter de estar na inação.

Há quem perca a sua alma por causa do respeito humano; perde-a, cedendo a uma pessoa imprudente, a si mesmo se perde, por atender demasiadamente a uma pessoa.

Tal há que, por falsa vergonha, promete ao seu amigo, e arranja gratuitamente nele um inimigo.

Mal da aventura

A mentira é no homem uma vergonhosa mancha, e ela encontra-se habitualmente na boca da gente sem educação.

Melhor é um ladrão do que um homem que mente de contínuo, mas ambos terão por herança a perdição.

Os costumes dos homens mentirosos são sem honra, e a sua confusão acompanha-os sempre.

O sábio

O sábio atrai a si a estima com as suas palavras, e o homem prudente agradará aos grandes.

Sabedoria escondida é tesouro invisível; que utilidade haverá em ambas estas coisas?

Melhor é o homem que encobre a sua insipiência do que aquele que esconde a sua sabedoria.