Neque creatura alia poterit nos separare a caritate Dei – “Nenhuma criatura nos poderá separar do amor de Deus” (Rm 8, 39)
I. Pode-se dizer sem exageração que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus é um penhor e sinal de predestinação. É evidente que este Coração é o coração mais amante: é todo amor para nós. O divino Salvador ama todos os homens, pois deu a sua vida por todos eles sem exceção; mas “Ama com afeto especial aqueles que O amam” — Ego diligentes me diligo (1). Que belo testemunho de amor é a devoção ao Sagrado Coração, que não é outra coisa senão um exercício de amor. Ora, se os corações que se amam, buscam unir-se para não se separarem mais, o Coração de Jesus deve desejar imensamente unir-se às almas de uma maneira inseparável, pela união perfeita e eterna do paraíso.
“Minha alma, que temes? Não serviste a Jesus Cristo durante setenta anos? Seu Coração, que é tão reconhecido, poderia te abandonar agora que tens tanta necessidade do seu socorro?”
“A nosso Redentor mesmo é que o Padre Eterno confiou o poder de nos julgar” — Omne iudicium dedit Filio (3)
Ah! Meu Jesus, quando virá o dia em que poderei dizer: Meu Deus, não posso mais Vos perder? Quando vos verei face a face e estarei certo de Vos amar com todas as minhas forças durante toda a eternidade? Ó meu Bem supremo, meu único amor, enquanto eu viver cá na terra, estarei sempre em perigo de Vos ofender e perder a vossa amável graça! Houve um triste tempo em que eu não Vos amava, em que desprezava o vosso amor, agora arrependo-me de toda a minha alma e confio que já me haveis perdoado; amo-Vos de todo o meu coração, desejo fazer tudo o que posso, para Vos amar e Vos agradar. Contudo, estou sempre exposto ao perigo de Vos recusar o meu amor e afligir o vosso divino Coração que tanto amor me tem.
Ah! Meu Jesus, vida e tesouro da minha alma, não o permitais. Se esta desgraça extrema tivesse de me suceder, fazei antes que eu morra neste momento do modo mais doloroso; eu o aceito e Vos darei as graças por isto. Eterno Pai, pelo amor de Jesus Cristo e pelos merecimentos do seu divino Coração, não me desampareis no meio dos perigos que me cercam. Castigai-me quanto quiserdes, mas preservai-me da desgraça de perder o vosso amor. Maria, minha boa Mãe, obtende-me do Coração tão generoso do vosso Filho a perseverança na sua amizade.
(1) Pv 8, 17
(2) Is 30, 18
(3) Jo 5, 22
(4) Rm 8, 34