Existe um momento na história da Igreja em que São Tomás de Aquino, o grande doutor que explicou tantos mistérios da fé, parou de escrever teologia e começou a rezar poesia. Diante da Eucaristia, ele compôs o Adoro Te Devote — um hino que atravessou séculos porque expressa algo que todo fiel sente diante do Santíssimo.
É a oração de quem reconhece sua própria limitação. Nossos sentidos falham, não conseguimos ver nem tocar a realidade que está ali. Mas a fé vai além do que nossos olhos alcançam. São Tomás nos ensina que crer no que Deus disse é mais seguro do que confiar no que vemos.
Esta oração nos coloca no mesmo chão de Tomé Apóstolo, do ladrão arrependido, de todos que precisaram crer sem ver tudo. E nos lembra que a Eucaristia é o memorial vivo da morte do Senhor — não uma lembrança distante, mas Aquele que continua se dando como pão vivo.
Eu vos adoro devotamente, ó Divindade escondida,
Que verdadeiramente oculta-se sob estas aparências,
A Vós, meu coração submete-se todo por inteiro,
Porque, vos contemplando, tudo desfalece.
A vista, o tato, o gosto falham com relação a Vós
Mas, somente em vos ouvir em tudo creio.
Creio em tudo aquilo que disse o Filho de Deus,
Nada mais verdadeiro que esta Palavra de Verdade.
Na cruz, estava oculta somente a vossa Divindade,
Mas aqui, oculta-se também a vossa Humanidade.
Eu, contudo, crendo e professando ambas,
Peço aquilo que pediu o ladrão arrependido.
Não vejo, como Tomé, as vossas chagas
Entretanto, vos confesso meu Senhor e meu Deus
Faça que eu sempre creia mais em Vós,
Em vós esperar e vos amar.
Ó memorial da morte do Senhor,
Pão vivo que dá vida aos homens,
Faça que minha alma viva de Vós,
E que à ela seja sempre doce este saber.
Senhor Jesus, bondoso pelicano,
Lava-me, eu que sou imundo, em teu sangue
Pois que uma única gota faz salvar
Todo o mundo e apagar todo pecado.
Ó Jesus, que velado agora vejo
Peço que se realize aquilo que tanto desejo
Que eu veja claramente vossa face revelada
Que eu seja feliz contemplando a vossa glória. Amém