As Quinze Orações Que Jesus Ensinou A Santa Brígida
Existe uma devoção antiga na Igreja que muitos desconhecem — as Quinze Orações reveladas por Nosso Senhor à Santa Brígida da Suécia, no século XIV. Jesus mostrou-lhe os sofrimentos da Sua Paixão com detalhes específicos e pediu que ela meditasse sobre cada momento do Seu caminho até a Cruz.
Estas orações foram aprovadas pelo Papa Pio IX em 1862. Não são fórmulas mágicas, mas um caminho de meditação sobre a Paixão que nos coloca diante de Jesus crucificado. Cada oração lembra um momento específico da Paixão — desde a agonia no Horto até a morte na Cruz.
O que torna estas orações singular é que elas nos fazem olhar para Cristo sofrendo. Não fugimos da dor Dele. Não a romantizamos. Simplesmente permanecemos ali, como Maria e João permaneceram ao pé da Cruz. E ao contemplar Seus ferimentos, começamos a entender o tamanho do amor que nos salvou.
Rezar estas orações, especialmente durante a Quaresma e a Semana Santa, é mergulhar na Via Sacra pela meditação. Cada uma termina com uma súplica concreta — pelos sacerdotes, pelos doentes, pelos pecadores, por nossas próprias fraquezas. Porque a Paixão de Cristo não é apenas memória do passado. Ela continua presente, e continua nos alcançando exatamente onde estamos.
Ó Jesus Cristo, doçura eterna para aqueles que vos amam, alegria que ultrapassa toda a alegria e todo o desejo, esperança de salvação dos pecadores, que declarastes não terdes maior contentamento do que estar entre os homens, até o ponto de assumir a nossa natureza, na plenitude dos tempos, por amor deles.
Lembrai-Vos dos sofrimentos, desde o primeiro instante da Vossa Conceição e sobretudo durante a Vossa Santa Paixão, assim como havia sido decretado e estabelecido desde toda a eternidade na mente divina.
Lembrai-Vos Senhor, que, celebrando a Ceia com os Vossos discípulos, depois de lhes haverdes lavado os pés, deste-lhes o Vosso Sagrado Corpo e precioso Sangue e, consolando-os docemente lhes predissestes a Vossa Paixão iminente.
Lembrai-Vos da tristeza e da amargura que experimentastes em Vossa Alma como o testemunhastes Vós mesmo por estas palavras: "a Minha Alma está triste até a morte".
Lembrai-Vos, Senhor, dos temores, angustias e dores que suportastes em Vosso Corpo delicado, antes do suplício da Cruz, quando, depois de ter rezado por três vezes, derramado um suor de Sangue, fostes traído por Judas Vosso discípulo, preso pela nação que escolhestes, acusado por testemunhas falsas, injustamente julgado por três juízes, na flor da Vossa juventude e no tempo solene da Páscoa.
Lembrai-Vos que fostes despojado de Vossas vestes e revestido com as vestes da irrisão, que Vos velaram os olhos e a face, que Vos deram bofetadas, que Vos coroaram de espinhos, que Vos puseram uma cana na mão e que, atado a uma coluna, fostes despedaçado por golpes e acabrunhado de afrontas e ultrajes.
Em memória destas penas e dores que suportastes antes da Vossa Paixão sobre a Cruz, concedei-me, antes da morte, uma verdadeira contrição, a oportunidade de me confessar com pureza de intenção e sinceridade absoluta, uma adequada satisfação e a remissão de todos os meus pecados. Assim seja!
Explicação e primeira oração de Santa Brígida sobre a Paixão de Cristo, devoção aprovada pela Igreja para meditar os sofrimentos de Jesus