Pobreza

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Pobreza

Desprendimento dos bens materiais

A first-century herdsman in a rough brown tunic stands at the edge of a steep rocky cliff above the Sea of Galilee, looking down in dismay at dozens of pigs floating dead in the lake water below. In the far distance, small on the shore, the lone figure of a man in a white robe walks away toward a boat. Bare hills of ancient Gadara, dry grass, harsh midday sun.

A Cidade Que Pediu a Jesus Para Ir Embora

Jesus acabara de libertar dois homens que viviam entre os túmulos, tão violentos que ninguém ousava passar por aquele caminho. Era o maior sinal que aquela região já vira. E o que a cidade pediu? Que ele fosse embora.

O motivo está nos porcos. A libertação dos dois homens custou uma manada inteira, e os moradores fizeram a conta na hora. A presença de Deus saía cara demais. Preferiram seus negócios à salvação que tinham diante dos olhos. "Suplicaram-lhe que deixasse aquela região" (Mateus 8,34).

Amós já havia denunciado a mesma troca. Deus diz que aborrece as festas e os cantos de quem o adora na liturgia e despreza o pobre na vida. O culto vazio o ofende mais do que consola. "Que jorre a justiça como torrente que não seca" (Amós 5,24).

A pergunta incomoda, e é para incomodar mesmo. Em que canto da sua vida você também pede, baixinho, que Jesus se afaste, porque deixar que ele entre ali sairia caro demais?

Leituras de hoje: Amós 5,14-15.21-24Salmo 49(50)Mateus 8,28-34

Os gadarenos pedem a Jesus que vá embora após perderem a manada, e Amós denuncia o culto de quem adora a Deus e despreza a justiça.

Fontes desta publicação:Liturgia do dia
A middle-aged woman seated alone in a wooden pew inside a small quiet country church, looking toward a golden tabernacle on the altar where a small sanctuary lamp burns red, soft afternoon light through a tall window.

Quando Jesus Fala Primeiro no Silêncio do Sacrário

Há uma oração antiga para quem entra numa igreja e encontra o Senhor à espera no sacrário. A primeira parte é um colóquio em que o próprio Jesus fala primeiro, pedindo que cheguemos sem cerimônia, como um amigo chega ao amigo.

Depois vem o ato de adoração de Santo Afonso Maria de Ligório, que tanto difundiu na Igreja o costume da visita ao Santíssimo. Ela fecha com a Alma de Cristo.

Reze-a devagar, diante do sacrário, sem ter o que dizer de bonito. Basta amá-lo.

Jesus diz: Não é preciso, meu amigo, saber muito para Me agradar; basta amar-Me com fervor. Fala comigo de maneira simples, como com o mais íntimo dos amigos.

Diz-Me o nome dos teus e o que desejas que Eu faça por eles. Pede muito, não receies pedir. Fala-Me dos pobres que queres consolar, dos doentes que vês sofrer, dos que se desviaram e tanto desejas reconduzir ao bom caminho. Dize por eles ao menos uma palavra.

Dize-Me com franqueza onde te reconheces fraco — no orgulho, na vaidade, na inveja, no rancor, no egoísmo, na negligência — e pede-Me que venha em teu auxílio. Não te envergonhes: muitos santos no Céu tinham os mesmos defeitos, e pediram com humildade até se verem livres deles.

Pede-Me também saúde e bons frutos no teu trabalho, nos teus estudos, nas tuas tarefas. Posso dar-te tudo, e to darei, contanto que ajude a tua santificação. Que precisas hoje? Se soubesses quanto desejo ajudar-te!

Conta-Me o que te preocupa, o que pensas e o que desejas. Que posso fazer pelos teus pais, pelos teus irmãos, pelos teus amigos, pela tua família? Dize-Me o que mais te ocupa o coração hoje, e que meios tens para alcançá-lo; se não o consegues, Eu te mostrarei o caminho.

Conta-Me em pormenor o que te entristece: quem te feriu, quem te desprezou. E em breve, imitando-Me, hás de querer perdoar tudo e de tudo esquecer; como recompensa, receberás a Minha bênção. Se sentes medo, angústia ou incerteza, lança-te nos braços da Minha providência: estou contigo, vejo tudo, ouço tudo, e em momento algum te desamparo.

Conta-Me o que, desde a tua última visita, consolou o teu coração: uma boa notícia, um carinho recebido, uma dificuldade vencida. Tudo é obra Minha. Dize-Me simplesmente, como um amigo ao amigo: obrigado, meu Jesus, obrigado!

Eu leio o fundo do coração; às pessoas é fácil enganar, a Deus não. Fala-Me com sinceridade: queres evitar aquela ocasião de pecado, deixar o que te seduz para o mal, fugir do que perturba a paz da tua alma? Queres ser de novo amável com quem até hoje tiveste por inimigo?

Volta agora às tuas ocupações, ao teu trabalho e à tua família, mas não esqueças estes minutos de conversa no silêncio do santuário. Ama e honra a Minha Mãe, que é também tua. E volta amanhã, com o coração mais entregue: nele encontrarás, cada dia, um amor novo. Vem! Aqui te espero.

Senhor meu Jesus Cristo, que, pelo amor que tendes aos homens, permaneceis noite e dia neste Sacramento, cheio de piedade e de amor, esperando, chamando e acolhendo todos os que vêm visitar-Vos: eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento do altar.

Adoro-Vos do abismo do meu nada e Vos dou graças por todos os benefícios que me tendes feito, especialmente por Vos terdes dado a mim neste Sacramento, por me terdes concedido como advogada a Vossa Mãe Santíssima e por me terdes chamado a visitar-Vos.

Meu Jesus, amo-Vos de todo o coração; pesa-me de ter, no passado, ofendido tantas vezes a Vossa divina bondade. Proponho, com o auxílio da Vossa graça, nunca mais Vos ofender; e, miserável como sou, todo me consagro a Vós e renuncio inteiramente à minha vontade.

Recomendo-Vos as almas do purgatório, sobretudo as mais devotas do Santíssimo Sacramento e da Virgem Maria, e recomendo-Vos também todos os pobres pecadores. Por fim, uno todos os meus afetos aos do Vosso amorosíssimo Coração e, assim unidos, os ofereço ao Eterno Pai, pedindo-Lhe, em Vosso nome, que por Vosso amor os aceite e atenda.

Alma de Cristo, santificai-me. Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me. Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me. Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das vossas chagas, escondei-me. Não permitais que eu me separe de Vós.
Do espírito maligno, defendei-me. Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós, para que, com os vossos Santos, Vos louve por todos os séculos. Amém.

A oração de visita ao Santíssimo Sacramento: um colóquio em que Jesus fala primeiro, o ato de adoração de Santo Afonso e a Alma de Cristo, para rezar diante do sacrário.

Fontes desta publicação:Oração
An older fisherman in a rough first-century tunic lying asleep on the stone floor of a dark prison cell, his wrists bound by two heavy iron chains, a Roman soldier in leather armor seated on each side of him, one chain link beginning to slip loose, faint warm light starting to fill the cell from above.

Pedro Confessou Cristo e Acordou Acorrentado

Simão Pedro disse na frente de todos que Jesus era "o Messias, o Filho do Deus vivo" (Mateus 16,16). Ouviu de volta a maior bênção do Evangelho e um nome novo, "tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja" (Mt 16,18).

Algum tempo depois, esse mesmo Pedro acorda acorrentado entre dois soldados, na cela de Herodes, esperando a espada que já tinha matado Tiago (Atos 12,1-11).

Repare na sequência. A confissão veio primeiro, as correntes vieram em seguida. Quem reconhece quem Cristo é não ganha um passe para uma vida mais fácil. Ganha uma cruz com o próprio nome escrito nela.

A gente costuma querer o crachá sem a conta. Gostamos de nos dizer cristãos, de defender a fé numa conversa, e torcemos para que isso nunca custe um emprego, uma amizade, o conforto de passar despercebido. Paulo não pediu esse desconto. Da prisão, perto do fim, ele escreve: "combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé" (2Tm 4,7).

A coroa da justiça que ele espera não vem no lugar do combate. Vem depois dele. Confessar Cristo de boca é fácil num domingo de sol. O teste é quando a confissão custa alguma coisa, e você descobre se acredita mesmo no que diz.

Leituras de hoje: Atos 12,1-11Salmo 33(34)2 Timóteo 4,6-8.17-18Mateus 16,13-19

Na Solenidade de Pedro e Paulo, a confissão de Pedro em Cesareia e a prisão de Atos 12 mostram que reconhecer Cristo leva ao combate antes da coroa.

Fontes desta publicação:Liturgia do dia
Medieval Christian soldiers raising a large wooden cross on top of a stone tower in Córdoba, Spain, 1236. Below them, the city of Córdoba spreads out with Islamic architecture visible. King Fernando III, Castilian king in royal tunic and crown, stands at base of tower looking upward at the cross being raised. Early afternoon light.

São Fernando III — Colocou Uma Cruz na Torre Mais Alta de Córdoba

Quando Córdoba finalmente se rendeu depois de séculos sob domínio sarraceno, Fernando fez algo revelador. Antes de qualquer celebração, antes de reorganizar o governo ou distribuir terras, ele ordenou que colocassem sua bandeira e uma cruz enorme na torre mais alta da cidade.

A cruz foi colocada em primeiro lugar porque Fernando distinguia entre conquistar território e consagrar território. A vitória pertencia a Deus. Fernando reconhecia isso publicamente, não como propaganda, mas como verdade que ordena tudo o mais.

Fernando construiu a catedral de Burgos. Fortaleceu a universidade de Salamanca. Para ele, libertar cidades do domínio sarraceno era apenas o início. Edificar a fé nelas era o verdadeiro trabalho.

Quando conseguimos algo que esperamos muito tempo, qual deve ser nosso primeiro gesto? O exemplo de Fernando é claro: reconhecer a Deus. Não é formalidade. É a única forma de manter as coisas ordenadas para seu verdadeiro fim.

São Fernando III colocou cruz em torre de Córdoba antes de qualquer celebração após reconquista, demonstrando prioridade de consagração sobre vitória militar.

Fontes desta publicação:Santo
Woman in simple dress standing at rocky shore facing turbulent ocean waves, dark storm clouds overhead, small statue of Our Lady of Grace visible on weathered wooden fence post beside her, late afternoon, coastal village in Bahia, Brazil, May 2026

A Súplica Que a Igreja Ensinou Para os Momentos Sem Saída

Tem dias em que o socorro humano não chega. A pessoa que poderia ajudar não responde, o dinheiro não aparece, a solução que você esperava desmorona. É para esses momentos que a Igreja nos ensinou a chamar Nossa Senhora com esta súplica urgente — porque onde nossa força acaba, o poder dela começa.

Esta oração se destina aos dias em que a necessidade aperta de verdade, para quando você precisa de uma Mãe que não desiste de socorrer seus filhos. Maria sabe o que é ver tudo ruir aos pés da Cruz, e por isso ela entende o desespero que às vezes bate no peito.

Socorrei Maria, é tempo. Socorrei, ó Mãe de misericórdia.

Sois poderosa para nos salvar, nas necessidades e nos perigos.

Pois onde o socorro humano desfalece, não falha o vosso. Não, não podeis desprezar as ardentes súplicas de vossos filhos.

Mostrai que sois mãe onde a necessidade for maior.

Socorrei, Maria, é tempo. Socorrei, ó Mãe de misericórdia. Amém.

Repete essa oração quando sentir que não tem mais para onde correr. A Mãe de Deus ouve os que clamam de verdade.

Reflexão sobre oração tradicional de súplica a Maria nos momentos de desamparo humano, com texto completo da oração.

Wooden rosary beads resting on an old open prayer book, soft afternoon light coming through a window, simple wooden table surface, traditional Catholic home interior, quiet corner of a room, mid-20th century Brazil, peaceful domestic setting

O Terço Que Consola os Corações Feridos

Existe uma oração antiga na Igreja que poucos conhecem, mas que carrega algo precioso: o Terço do Desagravo. Uma devoção que nos une ao amor aos Corações que mais amaram e mais foram desprezados.

Quando rezamos este terço, tocamos naquilo que o Senhor sentiu diante da indiferença, da ingratidão, da frieza dos corações humanos. E tocamos também na dor de Nossa Senhora, que viu o Filho ser rejeitado. O desagravo é isso — consolar quem foi ferido, oferecer carinho onde houve desprezo.

A oração é simples, mas profunda:

Pai-Nosso, Ave-Maria, Credo.

Nas contas grandes: Coração Doloroso e transpassado de Jesus, Perdoai-nos e sede o nosso amor!

Nas contas pequenas: Coração Doloroso e Imaculado de Maria, Perdoai-nos e sede a nossa salvação!

No final de cada mistério: Que sejam desagravados os Corações Unidos de Jesus e de Nossa Senhora, pelas nossas orações.

Nas três últimas contas: Glória três vezes.

Quando o mundo machuca o Senhor todos os dias — e reconhecemos que nós também O machucamos, mesmo sem querer — esta oração nos permite reparar. Rezar este terço é dizer ao Pai que queremos consolar, amar de volta, oferecer ao Coração transpassado aquilo que o mundo lhe nega.

Reflexão sobre Terço do Desagravo aos Corações Unidos de Jesus e Maria, explicando o significado da reparação e incluindo texto completo da oração.

Dawn breaking over a Brazilian neighborhood street, soft golden light touching rooftops and trees, morning mist still lingering, a few early birds visible in the sky, quiet residential area starting to wake, contemporary urban landscape, early 21st century, Brazil

Entrega Esta Quarta ao Pai

Acorda hoje sabendo que este dia já pertence ao Pai. Cada conversa, cada tarefa, cada cansaço que vier — tudo pode ser entregue a Ele antes mesmo de começar.

Não precisas carregar sozinho o peso desta quarta-feira. O Senhor conhece tuas forças e também tuas fraquezas, e Ele quer caminhar contigo.

Oferece-Lhe agora o dia inteiro. Que tua presença no mundo seja pequena oração, gesto simples de quem confia.

Oração matinal de quarta-feira convidando à entrega confiante do dia ao Pai, reconhecendo que não precisamos carregar sozinhos o peso das tarefas.

Two men sitting on stone prison floor with feet locked in wooden stocks, singing together with heads lifted upward in prayer, torchlight flickering on stone walls, ancient Roman prison at midnight, first century Philippi

Paulo Cantou na Prisão Antes do Milagre — Você Ora Só Quando Tudo Melhora

Na primeira leitura de hoje, Paulo e Silas estão presos, açoitados, com os pés no tronco. E o que fazem à meia-noite? Cantam hinos a Deus. Não pedem explicações, não reclamam da injustiça, não esperam sinais de que vale a pena continuar. Cantam antes do terremoto, antes da libertação, antes de qualquer evidência de que Deus estava agindo.

O Evangelho de hoje mostra por quê isso importa. Jesus diz que o Espírito Santo vem para demonstrar ao mundo em que consistem o pecado, a justiça e o julgamento (João 16). Não vem apenas consolar — vem revelando o que é pecado e o que é justiça. E uma verdade que o Espírito expõe em nós é essa fé que depende de resultados, essa oração interesseira em que só pedimos quando sofremos.

Quantas vezes você ora fervorosamente no desespero, mas quando Deus demora, quando a prisão não se abre, quando os pés continuam presos no tronco da sua circunstância difícil, você para de cantar? O carcereiro se converteu não porque viu o milagre, mas porque viu homens louvando a Deus nas correntes. Sua fé precisa de resultados imediatos ou consegue louvar a Deus no escuro?

Contrasta Paulo louvando Deus na prisão antes do milagre com católicos que só oram quando veem resultados, usando o Espírito Santo que confronta nossa fé condicional.

Fontes desta publicação:Liturgia do dia
Single window with warm light glowing from inside modest home, starry night sky visible above, quiet residential street, contemporary rural Brazil

O Dia Que Passou

Já está acabando. Olha para trás e vê — tinha coisa boa, tinha coisa que pesou no peito. Assim é a vida de quem caminha neste mundo.

A Igreja nos ensina a fazer exame de consciência antes de dormir. Não é pra ficar remoendo culpa, mas pra reconhecer onde falhamos e pedir perdão. Aquela palavra que não devia ter saído, aquele gesto de egoísmo, aquela vez que não viste quem precisava de ti.

Mas também reconhece as graças. O pão que chegou à mesa, a conversa que aqueceu o coração, aquela ajuda que apareceu quando menos esperavas.

Agora entrega tudo nas mãos do Pai. O que fizeste de bom e o que falhaste. Ele sabe que somos frágeis, e por isso nos deu a misericórdia. Dorme em paz.

Oração noturna de quinta-feira com exame de consciência equilibrado, reconhecimento de falhas e graças, entrega confiante ao Pai misericordioso.

Three clay pots emerging from dark river water, morning mist rising from water surface, Paraíba river valley landscape, 1717 colonial Brazil period

A Mãe Que O Brasil Inteiro Conhece

Tem uma oração que o povo brasileiro reza há gerações. É a consagração a Nossa Senhora Aparecida, aquela Mãe pequenina que uns pescadores tiraram das águas do rio Paraíba e que se tornou padroeira de toda a nossa terra.

Quando rezamos essa oração, estamos fazendo o que nós sempre fizemos — entregar tudo a Maria para que ela nos leve a Cristo. O entendimento, a língua, o coração. Tudo.

Ela é cooperadora celestial, como diz a oração, porque trabalha conosco na nossa salvação. E quando pedimos que nos receba como filhos, estamos lembrando daquele momento na cruz em que Jesus nos deu Maria como Mãe (João 19).

Ó Maria Santíssima, pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, em vossa querida imagem de Aparecida, espalhais inúmeros benefícios sobre todo o Brasil.

Eu, embora indigno de pertencer ao número de vossos filhos e filhas, mas cheio do desejo de participar dos benefícios de vossa misericórdia, prostrado a vossos pés, consagro-vos o meu entendimento, para que sempre pense no amor que mereceis; consagro-vos a minha língua para que sempre vos louve e propague a vossa devoção; consagro-vos o meu coração, para que, depois de Deus, vos ame sobre todas as coisas.

Recebei-me, ó Rainha incomparável, vós que o Cristo crucificado deu-nos por Mãe, no ditoso número de vossos filhos e filhas; acolhei-me debaixo de vossa proteção; socorrei-me em todas as minhas necessidades, espirituais e temporais, sobretudo na hora de minha morte.

Abençoai-me, ó celestial cooperadora, e com vossa poderosa intercessão, fortalecei-me em minha fraqueza, a fim de que, servindo-vos fielmente nesta vida, possa louvar-vos, amar-vos e dar-vos graças no céu, por toda eternidade. Assim seja! Amém.

Reflexão sobre a consagração tradicional a Nossa Senhora Aparecida, explicando seu significado teológico e incluindo oração completa da devoção brasileira.

Wide open country road stretching toward horizon at sunrise, early morning golden light illuminating the path ahead, rural Brazil landscape, contemporary time

Põe Nas Mãos De Deus

Acorda, filho. Mais um dia esperando por você.

Olha tudo à tua frente — o trabalho, as conversas, aquele encontro que te preocupa. Não precisa carregar sozinho. A Igreja ensina desde sempre que cada manhã é um novo começo dado por Deus.

Então respira fundo e põe tudo nas mãos Dele. O dia que se abre, as pessoas que vais encontrar, até o que ainda não sabes que vai acontecer. Tudo.

Pede a graça de que nada te afaste do Pai. E vai tranquilo, porque Ele já foi na frente.

Oração matinal de quinta-feira da segunda semana pascal oferecendo o dia inteiro nas mãos de Deus com confiança e serenidade.

Night sky with scattered stars visible above silhouette of simple Brazilian house with single lit window, quiet rural neighborhood, peaceful late evening atmosphere, contemporary Brazil

O Que Ficou Deste Dia

Antes de fechar os olhos, olhe para trás. O que ficou deste dia que o Pai te deu?

Talvez você tenha acertado em algumas coisas, errado em outras. Talvez tenha sido paciente quando queria gritar, ou tenha perdido a paciência quando devia ter segurado a língua. Está tudo bem. Deus vê tudo isso e continua te amando do mesmo jeito.

Agradeça pelo que foi bom. Peça perdão pelo que foi torto. E entregue tudo nas mãos do Pai — o dia inteiro, com seus acertos e suas falhas.

Amanhã é outro dia, e a misericórdia de Deus se renova a cada manhã.

Pai, obrigado por este dia. Perdoa onde falhei, guarda o que foi bom. Agora descanso em Ti. Amém.

Oração noturna de exame de consciência, gratidão e entrega confiante ao Pai com aceitação da misericórdia divina renovada

Dawn breaking over a simple Brazilian kitchen window, first sunlight streaming through, coffee cup on wooden table, peaceful morning atmosphere, contemporary home, early 21st century Brazil

Acorda, Filho Amado

O Pai acorda você hoje como acorda o sol — sem pressa, com ternura, sabendo que você é Seu filho amado.

Antes de correr para as tarefas, respire fundo. Este dia é um presente que vem das mãos d'Ele. Cada hora que você vai viver já está guardada no coração do Pai.

Ofereça tudo agora — o trabalho, os encontros, até aquela conversa difícil que você está adiando. Coloque nas mãos d'Ele e siga em paz.

Pai, este dia é Teu. Que eu viva cada momento sabendo que Tu estás comigo. Amém.

Oração matinal de oferecimento filial do dia ao Pai com confiança em Sua presença constante e ternura paternal

Noble Roman woman in her thirties wearing simple dark green rough cloak, kneeling on stone floor of palazzo courtyard distributing bread from large basket to poor people reaching toward her, early 15th century Rome, daytime

Santa Francisca Romana — Abriu Seu Palácio Como Casa dos Pobres

O sogro de Francisca perdeu a paciência. Cansado de ver a dispensa da família sempre vazia por causa das esmolas contínuas, tomou as chaves da nora e esvaziou os celeiros — deixou apenas cascas de milho no fundo. Dias depois, os celeiros estavam cheios de trigo excelente que ninguém havia comprado.

Francisca Bussa dei Ponziani era uma nobre romana que vivia de modo estranho para sua classe. Casada aos doze anos com Lourenço Ponziani, ela queria ser religiosa, mas aceitou o matrimônio arranjado entre famílias importantes. Encontrou então uma forma peculiar de viver — seu palácio de Trastevere tornou-se refúgio para os pobres e enfermos.

O que desconcertava a nobreza romana era vê-la vestida com um manto verde escuro e grosseiro, estendendo a mão na porta das igrejas para pedir esmolas em nome de quem tinha vergonha de fazê-lo. Suas amigas matronas faziam mexericos sarcásticos — ela era vista como traidora da própria casta.

Mas Francisca não guardava sua alegria num cofre visível a poucos. Mantinha o coração aberto a todos, dia e noite, como os portões de sua casa. Tratava os servos como irmãos, cuidava dos doentes com as próprias mãos, e ninguém saía de mãos vazias daquele lugar.

Viúva em 1436, retirou-se para o mosteiro das Oblatas que havia fundado, onde faleceu em 9 de março de 1440. Durante três dias, multidões fizeram fila para o último adeus àquela que já chamavam de Santa de Roma.

Santa Francisca Romana, nobre que transformou palácio em casa dos pobres, provocou escândalo na aristocracia romana servindo miseráveis com alegria radical até morte em 1440.

Fontes desta publicação:Santo
Middle-aged father in simple ancient middle eastern tunic running with arms open wide toward viewer on dusty path, early morning, ancient Judea, first century AD, father's face showing joy and urgency

Deus Perdoa Tudo — Por Que Você Ainda Cobra?

A liturgia de hoje nos coloca diante de uma verdade incômoda. Miqueias proclama que Deus lança ao fundo do mar todos os nossos pecados, não guarda rancor, ama a misericórdia. O Salmo reforça: não nos trata como exigem nossas faltas. E no Evangelho, vemos o pai correndo ao encontro do filho que dilapidou metade de sua herança.

Mas então aparece o filho mais velho. Ele que nunca desobedeceu, que trabalhou fielmente. E está furioso. Esse teu filho esbanjou teus bens com prostitutas, ele cospe. Note — não diz meu irmão, diz esse teu filho. Ele virou contador de pecados alheios. Guardou rancor onde deveria haver perdão.

Quantos de nós fazemos o mesmo? Recebemos a misericórdia de Deus no confessionário, mas guardamos um arquivo mental das ofensas dos outros. Queremos que Deus nos perdoe como o pai perdoou o filho pródigo, mas tratamos os arrependidos ao nosso redor com a amargura do filho mais velho. A criança que foi perdoada ainda acusa. O coração que recebeu graça ainda cobra.

Deus lança nossos pecados ao fundo do mar. Nós, porém, mantemos anotados no caderno contra nosso irmão o que Ele já esqueceu. Essa é a acusação silenciosa que a liturgia apresenta hoje.

Leituras de hoje: Miqueias 7,14-15.18-20 • Salmo 102(103) • Lucas 15,1-3.11-32

Post confronta católicos que aceitam misericórdia divina mas mantêm contabilidade de pecados alheios, usando contraste entre pai misericordioso e filho mais velho ressentido da parábola

Fontes desta publicação:Liturgia do dia