Pureza de Coração

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Pureza de Coração

Intenção reta em todas as ações

A quiet nighttime view of a calm lake under a deep blue starry sky, with the still water reflecting the stars and a thin line of distant hills on the horizon, peaceful and silent landscape with no people.

O Dia se Fecha Mais Leve Quando Você o Devolve

Terminou o sábado. Antes de apagar a luz, vale parar um momento e olhar para trás. A Igreja sempre encerrou o dia assim, com um exame breve e sereno, sem virar tribunal.

Onde estive perto de Deus hoje? Onde me afastei? Não para me cobrar até tarde, mas para entregar tudo, o acerto e a falha, nas mãos que cuidam de mim enquanto durmo.

O salmista já rezava esse repouso confiante: "Em paz me deito e logo adormeço, porque só tu, Senhor, me dás segurança" (Sl 4,9).

Peça perdão pelo que pesa, agradeça pelo que foi bom, e deixe o resto. O sono também é um ato de fé. Quem dorme reconhece que o mundo não depende dele, mas d'Aquele que não dorme nem cochila.

Oração da noite de sábado com breve exame de consciência, pedido de perdão, ação de graças e entrega confiante do sono a Deus, na tradição do encerramento do dia da Igreja.

Fontes desta publicação:Oração
A single ancient stone archway, open and bathed in light, framing a view of dawn breaking beyond it, with a delicate white rose plant rooted at its base, illustrating Mary as root and gateway through which light entered the world.

Uma das Saudações que a Igreja Faz a Nossa Senhora

Há quatro antífonas que a Igreja canta para Maria conforme o tempo litúrgico, e a Ave Regina Caelorum é uma delas. Reza-se sobretudo da Apresentação do Senhor à Quinta-feira Santa, mas seu espírito serve qualquer dia em que a alma queira saudar a Rainha do céu.

O texto é puro louvor. Não pede tantas coisas quanto saúda. Chama Maria de raiz e de porta, porque dela nasceu a luz do mundo. É a Virgem por onde o Verbo entrou na história.

Vale rezá-la devagar, deixando cada saudação respirar.

Ave, Rainha dos céus, Ave, Senhora dos Anjos.
Salve, ó raiz, salve, ó porta, de quem nasceu a luz do mundo.
Alegrai-vos, ó Virgem gloriosa, formosa acima de todas;
salve, ó toda bela, e rogai a Cristo por nós.
Amém.

Repare no fim. Depois de tanto louvor, vem o único pedido: que ela rogue a Cristo por nós. Maria nunca aponta para si mesma. Aquela que recebeu a luz do mundo a devolve, levando até o Filho quem se aproxima dela.

A antífona mariana Ave Regina Caelorum saúda Maria como raiz e porta de quem nasceu a luz do mundo, e pede que ela rogue a Cristo por nós, com o texto integral.

Fontes desta publicação:Oração
A simple wooden kitchen table near a window at dawn on a Saturday morning, with an empty ceramic coffee cup and a small open notebook, soft golden sunrise light entering through the window, a quiet rural backyard visible outside.

Antes do Café, uma Palavra ao Senhor

O dia começa antes do primeiro café. Você abre os olhos e, por um instante, ainda é só você e Deus, sem as tarefas que vão chegar logo. A Igreja sempre ensinou a aproveitar esse instante.

Senhor, este dia é vosso antes de ser meu. Recebei o que eu fizer e o que eu não conseguir fazer. Guardai meu coração para que ele não se perca no cansaço do sábado.

Não precisa ser longo. Um "sois meu Deus, em vós confio" já abre a porta. O resto do dia se reza por dentro, no trabalho de casa, no descanso, na conversa.

Oração matinal de sábado no Tempo Comum, oferecendo o dia ao Senhor antes das tarefas, na tradição da Igreja de consagrar a manhã com um ato breve de confiança.

Fontes desta publicação:Oração
Saint Ephrem, a bearded deacon in a simple dark tunic, sits on a low stone bench in a bare courtyard in fourth-century Edessa, bent over a sheet of papyrus resting on his knee, pressing a reed pen to the surface. Two working men — a carpenter and a water carrier still holding his clay jug — stand a few steps away, mouths open, singing together from a small wax tablet propped against the courtyard wall, their expressions earnest and focused.

Santo Efrém — Defendeu a Fé Cantando Quando Outros Escreviam Tratados

No século IV, quando os hereges espalhavam erros sobre a fé usando músicas fáceis de memorizar, Santo Efrém percebeu algo que poucos teólogos enxergaram. De nada adiantava responder com tratados que ninguém leria. Então fez o contrário do esperado. Compôs hinos. Versos que o povo de Nísibis e Edessa decorava e cantava nas ruas, levando a doutrina certa para dentro de casa pela mesma porta por onde o erro tentava entrar.

A Igreja o chamou de Harpa do Espírito Santo. Era diácono, poeta e um dos maiores pensadores do seu tempo, e escolheu o coração das pessoas como sala de aula.

A virtude aqui é a prudência — saber qual linguagem alcança quem você quer alcançar. Você não precisa vencer toda discussão de fé com argumentos. Às vezes o que converte um parente afastado é a oração rezada na mesa, o gesto repetido com paciência, a fé vivida onde ele consegue ver.

Santo Efrém, diácono e Doutor da Igreja do século IV, combateu heresias compondo hinos que o povo cantava, levando a doutrina certa pela mesma via do erro.

Fontes desta publicação:Santo
Night sky above Brazilian cerrado landscape, countless stars visible in clear dark sky, silhouette of twisted tree against starlit horizon, peaceful nocturnal scene, early 21st century, Goiás countryside, Brazil

Fecha O Dia Confiando Nos Braços Do Pai

Senhor, mais um dia termina e aqui estou, cansado mas grato. Obrigado pelas coisas que deram certo, obrigado também pelas que não saíram como eu queria — porque até nisso Tu estavas presente, moldando meu coração.

Peço perdão pelas vezes que Te esqueci hoje, pelas palavras duras, pela pressa que me fez passar reto pelas pessoas. Tu conheces minha fraqueza melhor do que eu mesmo.

Agora entrego esta noite nas Tuas mãos. Que eu durma em paz sabendo que Tu nunca dormes, que Tua misericórdia me cobre como um manto. Amanhã recomeço, não porque sou forte, mas porque Tu és fiel. Em Ti, Senhor, coloquei minha esperança — não serei confundido. Amém.

Oração noturna de segunda-feira pascal com gratidão, exame de consciência e entrega confiante ao Pai que nunca dorme.

Interior of ancient basilica with high vaulted ceiling, stone columns reaching upward, rays of light streaming through high windows illuminating stone floor, early Christian era architecture, Rome, Italy, 4th century

O Hino Que a Igreja Canta Há Dezessete Séculos

Existe uma oração que atravessou impérios, sobreviveu a perseguições, ecoou em catedrais e em celas de prisão. O Te Deum — esse hino antiquíssimo atribuído a Santo Ambrósio — é o grande cântico de louvor da Igreja, rezado em momentos solenes de ação de graças.

Quando lemos suas palavras, percebemos algo belo demais. A oração começa lá no Céu, com os Anjos e Santos louvando a Deus, e depois desce até nós, pecadores que também queremos nos juntar a esse coro eterno. Do trono de glória até nosso quarto simples, a mesma adoração.

O Te Deum nos lembra uma verdade esquecida — louvar a Deus não depende das nossas circunstâncias, mas da Sua grandeza. Ele é digno de louvor sempre, porque é quem Ele é.

A Vós, ó Deus, louvamos e por Senhor nosso Vos confessamos.

A Vós, ó Eterno Pai, reverencia e adora toda a Terra.

A Vós, todos os Anjos, a Vós, os Céus e todas as Potestades;
A Vós, os Querubins e Serafins com incessantes vozes proclamam:
Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos!
Os Céus e a Terra estão cheios da vossa glória e majestade.

A Vós, o glorioso coro dos Apóstolos,
A Vós, a respeitável assembléia dos Profetas,
A Vós, o brilhante exército dos mártires engrandece com louvores!
A Vós, Eterno Pai, Deus de imensa majestade,

Ao Vosso verdadeiro e único Filho, digno objeto das nossa adorações,
Do mesmo modo ao Espírito Santo, nosso consolador e advogado.

Vós sois o Rei da Glória, ó meu Senhor Jesus Cristo!
Vós sois Filho sempiterno do vosso Pai Onipotente!
Vós, para vos unirdes ao homem e o resgatardes
não Vos dignastes de entrar no casto seio duma Virgem!

Vós, vencedor do estímulo da morte,
abristes aos fiéis o Reino dos Céus,
Vós estais sentado à direita de Deus,
no glorioso trono do vosso Pai!

Nós cremos e confessamos firmemente
que de lá haveis de vir a julgar no fim do mundo.

A Vós portanto rogamos que socorrais os vossos servos
a quem remistes como vosso preciosíssimo Sangue.
Fazei que sejamos contados na eterna glória,
entre o número dos vossos Santos.

Salvai, Senhor, o vosso povo e abençoai a vossa herança,
E regei-os e exaltai-os eternamente para maior glória vossa.
Todos os dias Vos bendizemos
E esperamos glorificar o vosso nome agora e por todos os séculos.
Dignai-Vos, Senhor, conservar-nos neste dia e sempre sem pecado.
Tende compaixão de nós, Senhor,
compadecei-Vos de nós, miseráveis.
Derramai sobre nós, Senhor, a vossa misericórdia,
pois em Vós colocamos toda a nossa esperança.
Em Vós, Senhor, esperei, não serei confundido.

Reflexão sobre o Te Deum como hino litúrgico de louvor atravessando séculos, com texto completo da oração tradicional.

Dawn breaking over rural Brazilian landscape, sun rising behind distant hills, morning mist lifting from green fields, soft golden light spreading across the horizon, early 21st century, countryside of Minas Gerais, Brazil

Oferece Este Dia Como Quem Entrega Uma Carta

Senhor, pego este novo dia e entrego nas Tuas mãos do mesmo jeito que entregaria uma carta ainda não escrita. Tu conheces cada linha que ainda vou viver, cada pessoa que vou encontrar, cada desafio que vai aparecer.

Que minha voz Te louve nas conversas simples, que minhas mãos Te sirvam nos gestos cotidianos, que meu coração Te busque mesmo no meio da correria. Começo este dia sabendo que sem Ti nada posso, mas contigo tudo se torna oportunidade de Te amar um pouco mais.

Senhor Deus dos Exércitos, que os Anjos louvam sem parar, aceita também este meu louvor pequeno e sincero. Amém.

Oração matinal de segunda-feira pascal oferecendo o dia a Deus com metáfora da carta não escrita e louvor inspirado no Te Deum.

Night sky filled with stars visible through bedroom window, silhouette of window frame, quiet peaceful night, Brazilian countryside view, late evening May 2026

Antes De Dormir, Olha Pra Dentro

Senhor, o dia terminou e preciso olhar com honestidade para o que vivi. Houve momentos em que minha vontade quis ir por um caminho e a Tua apontava outro? Confesso que nem sempre escolhi bem.

Obrigado pelas vezes que me deste forças para fazer o que era certo, mesmo custando. E perdão pelas vezes que preferi o caminho mais fácil, aquele que agrada só a mim.

Enquanto durmo, purifica meu coração. Tira de mim o que não vem de Ti — o orgulho disfarçado de firmeza, a preguiça disfarçada de descanso, a indiferença disfarçada de prudência. Que amanhã eu acorde um pouco mais livre dessas amarras, um pouco mais parecido com quem Tu me chamas a ser.

Entrego esta noite nas Tuas mãos. Que Tua paz seja maior que minhas preocupações.

Oração noturna dominical com exame de consciência sobre escolhas do dia, pedido de purificação do coração e entrega confiante antes do sono.

Elderly pope in white cassock kneeling in private chapel before simple crucifix, hands folded in prayer, early 18th century Vatican chapel, morning light through arched window, Rome, Italy

A Oração Que Pede Tudo Ao Mesmo Tempo

Existe uma oração atribuída ao Papa Clemente XI que parece resumir tudo que um católico precisaria dizer a Deus. Ela não é curta, mas cada linha toca numa parte diferente da vida espiritual — desde a fé que precisa crescer até o perdão que custa dar.

O que chama atenção nessa oração é a honestidade. Ela reconhece que mesmo acreditando, nossa fé vacila. Mesmo amando a Deus, nosso amor esfria. E em vez de fingir que está tudo bem, a oração pede ajuda justamente onde mais precisamos — nas virtudes que ainda não conseguimos praticar sozinhos.

É uma oração de quem sabe que depende totalmente da graça. De quem entende que vencer a sensualidade pela austeridade, ou a avareza pela generosidade, não acontece por força de vontade, mas porque Deus age em nós. Ler essa oração depois da Missa, como era costume fazer, é estender o momento sacramental para o resto do dia.

Meu Deus, eu creio em vós, mas fortificai a minha fé; espero em vós, mas tornai mais confiante a minha esperança; eu vos amo, mas afervorai o meu amor; arrependo-me de ter pecado, mas aumentai o meu arrependimento.

Eu vos adoro como primeiro princípio, eu vos desejo como fim último; eu vos louvo como benfeitor perpétuo, eu vos invoco como benévolo defensor.

Que vossa sabedoria me dirija, vossa justiça me contenha, vossa clemência me console, vosso poder me proteja.

Meu Deus, eu vos ofereço meus pensamentos, para que só pense em vós; minhas palavras, para que só fale em vós; minhas ações, para que sejam do vosso agrado; meus sofrimentos, para que sejam por vosso amor.

Quero o que quiserdes, porque o que quereis como o quereis, e enquanto o quereis.

Senhor eu vos peço: iluminai minha inteligência, inflamai minha vontade, purificai meu coração e santificai minha alma.

Dai-me chorar os pecados passados, repelir as tentações futuras, corrigir as más inclinações e praticar as virtudes do meu estado.

Concedei-me ó Deus de bondade, ardente amor por vós e aversão por meus defeitos, zelo pelo próximo e desapego do mundo.

Que eu me esforce para obedecer aos meus superiores, auxiliar os que dependem de mim, dedicar-me aos amigos e perdoar os inimigos.

Que eu vença a sensualidade pela austeridade, a avareza pela generosidade, a cólera pela mansidão e a tibieza pelo fervor.

Torne-me prudente nas decisões, corajoso nos perigos, paciente nas adversidades e humilde na prosperidade.

Fazei Senhor, que eu seja atento na oração, sóbrio nos alimentos, diligente no trabalho e firme nas resoluções.

Que eu procure possuir pureza de coração e modéstia de costumes, um procedimento exemplar e uma vida reta.

Que eu me aplique sempre em vencer a natureza, colaborar com a graça, guardar os mandamentos e merecer a salvação.

Aprenda de vós como é pequeno o que é da terra, como é grande o que é divino, breve o que é desta vida e duradouro o que é eterno.

Dai-me preparar-me para a morte, temer o dia do juízo, fugir do inferno e alcançar o paraíso.

Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Reflexão sobre a oração completa de Papa Clemente XI, destacando sua abrangência espiritual e convite à dependência da graça divina em todas as áreas da vida.

First-century Middle Eastern man in simple tunic tearing his outer garment with both hands in dramatic gesture of distress, ancient stone city street visible behind him, Lystra region, 1st century AD, Mediterranean climate

Paulo Curou um Coxo — Você Quer Crédito Pelo Que Deus Faz

Na primeira leitura, Paulo cura um paralítico em Listra e a multidão enlouquece — querem adorá-lo como se fosse o deus Mercúrio. Paulo rasga as vestes, horrorizado. \"Somos homens mortais como vós\", ele grita. A cura não veio dele, veio do Deus vivo.

Quando Deus age através de você, sua primeira reação é dar glória a Ele ou aceitar os elogios? Quando alguém elogia seu trabalho na paróquia, seu serviço, até sua oração, você desvia o crédito para Cristo ou deixa a admiração pousar em você? Essa é a questão que Paulo responde com sua própria vida.

Paulo poderia ter aproveitado aquele momento. Uma cidade inteira aos seus pés, oferecendo sacrifícios. Mas ele conhecia a verdade que Jesus ensina no Evangelho de hoje: quem ama a Cristo guarda Sua palavra (João 14). E a palavra de Cristo é clara — toda glória pertence ao Pai.

O problema não é fazer coisas boas. É roubar a glória que não nos pertence. Quando você evangeliza, serve, testemunha, e alguém reconhece — aponte para o Deus vivo. Está você construindo um templo para si mesmo ou glorificando quem verdadeiramente merece?

Leituras de hoje: Atos 14,5-18 • Salmo 113B(115) • João 14,21-26

Contrasta Paulo rasgando vestes ao ser adorado após curar paralítico com católicos que aceitam crédito pela ação de Deus, desafiando-os a desviar toda glória ao Pai.

Fontes desta publicação:Liturgia do dia
Capuchin friar in simple brown habit standing at wooden pulpit inside modest church, surrounded by twenty armed soldiers with raised swords, Séwis, Switzerland, 1622, tense confrontational moment as soldiers demand recantation

São Fidélis de Sigmaringa — Sabia Que Ia Morrer e Mesmo Assim Foi

Fidélis estava pregando em território calvinista há meses. Durante uma Missa, alguém atirou contra ele, mas errou. Ele entendeu o recado — continuou a missão.

Quando os calvinistas o convidaram para pregar em Séwis, ele aceitou, sem saber que era uma armadilha. Ao fim do sermão, vinte soldados o cercaram, exigindo que renegasse tudo. Ele se recusou. Foi golpeado na cabeça tantas vezes que nem teve tempo de perdoar seus assassinos.

Antes de partir para aquela missão, tinha dito aos confrades — "Se me matarem, aceitarei a morte, com alegria, por amor de Nosso Senhor. Eu a considerarei uma grande graça!"

Sabia exatamente o risco que corria, mas foi mesmo assim, porque a fidelidade a Cristo valia mais que a própria vida. A morte era o preço da verdade, e ele o pagou.

Há momentos em que nossa fé nos coloca em situações difíceis — perder oportunidades, enfrentar hostilidade, sofrer consequências reais. Fidélis nos ensina que fidelidade se mede justamente quando custa algo.

São Fidélis pregou em território hostil mesmo após tentativa de assassinato, aceitou convite sabendo dos riscos e foi martirizado ao recusar renegar a fé.

Fontes desta publicação:Santo
Night scene of simple oil lamp with soft flame burning on wooden table in dark room, single window showing deep blue twilight sky, minimalist interior, peaceful solitude, present day Middle Eastern style room

Senhor, Recebe Esta Sexta-feira Santa

Este dia termina, Senhor, e eu o entrego aos Teus pés.

Foi um dia diferente. Talvez de silêncio, talvez de luta. Mas foi o dia em que a Igreja inteira parou para olhar para a Tua cruz.

Perdoa-me pelas vezes que hoje eu fugi da minha própria cruz. Pelas vezes que reclamei, que desanimei, que esqueci que Tu carregaste a Tua até o fim por amor a mim.

Agradeço pelo dia que se fecha. Pela vida que ainda pulsa em mim. Pelo sangue que Tu derramaste para me salvar.

Agora entrego a Ti este corpo cansado, esta alma ferida. Cobre-me com o manto de Nossa Senhora, que permaneceu de pé aos pés da cruz quando tudo parecia perdido.

Amanhã é sábado santo. O dia do silêncio. Mas depois vem a Páscoa. E a vitória já está conquistada.

Oração noturna de sexta-feira santa com exame de consciência sobre carregar a cruz, gratidação pelo sacrifício de Cristo e entrega confiante ao repouso sob proteção mariana

Dawn breaking over Mount Calvary landscape with three empty wooden crosses silhouetted against orange and purple sky, rocky terrain visible, 1st century Jerusalem surroundings, mist in the valleys below

Entrego Este Dia Aos Pés Da Cruz

Senhor, quando abro os olhos nesta manhã, sei que hoje é o dia em que tudo se consumou. O dia em que morreste por mim.

Ofereço este dia aos Teus pés pregados na cruz. Que cada dificuldade que eu enfrentar me una ao Teu sacrifício. Que cada dor que eu sentir me lembre do Teu amor sem medida.

Não permitas que eu viva este dia como se fosse comum. Hoje é sexta-feira santa — o dia em que o céu se fechou e a terra tremeu porque o Filho de Deus entregou a vida por amor.

Recebe este dia, Senhor. E me dá a graça de vivê-lo aos pés da Tua cruz.

Oração matinal de sexta-feira santa oferecendo o dia aos pés de Cristo crucificado, reconhecendo o sacrifício supremo e pedindo união com a paixão

Stone column in dimly lit ancient chamber, rough weathered surface showing age, iron rings attached to the column sides, first century Roman architecture, Jerusalem, night time during Passover week

As Quinze Orações Que Jesus Ensinou A Santa Brígida

Existe uma devoção antiga na Igreja que muitos desconhecem — as Quinze Orações reveladas por Nosso Senhor à Santa Brígida da Suécia, no século XIV. Jesus mostrou-lhe os sofrimentos da Sua Paixão com detalhes específicos e pediu que ela meditasse sobre cada momento do Seu caminho até a Cruz.

Estas orações foram aprovadas pelo Papa Pio IX em 1862. Não são fórmulas mágicas, mas um caminho de meditação sobre a Paixão que nos coloca diante de Jesus crucificado. Cada oração lembra um momento específico da Paixão — desde a agonia no Horto até a morte na Cruz.

O que torna estas orações singular é que elas nos fazem olhar para Cristo sofrendo. Não fugimos da dor Dele. Não a romantizamos. Simplesmente permanecemos ali, como Maria e João permaneceram ao pé da Cruz. E ao contemplar Seus ferimentos, começamos a entender o tamanho do amor que nos salvou.

Rezar estas orações, especialmente durante a Quaresma e a Semana Santa, é mergulhar na Via Sacra pela meditação. Cada uma termina com uma súplica concreta — pelos sacerdotes, pelos doentes, pelos pecadores, por nossas próprias fraquezas. Porque a Paixão de Cristo não é apenas memória do passado. Ela continua presente, e continua nos alcançando exatamente onde estamos.

Ó Jesus Cristo, doçura eterna para aqueles que vos amam, alegria que ultrapassa toda a alegria e todo o desejo, esperança de salvação dos pecadores, que declarastes não terdes maior contentamento do que estar entre os homens, até o ponto de assumir a nossa natureza, na plenitude dos tempos, por amor deles.

Lembrai-Vos dos sofrimentos, desde o primeiro instante da Vossa Conceição e sobretudo durante a Vossa Santa Paixão, assim como havia sido decretado e estabelecido desde toda a eternidade na mente divina.

Lembrai-Vos Senhor, que, celebrando a Ceia com os Vossos discípulos, depois de lhes haverdes lavado os pés, deste-lhes o Vosso Sagrado Corpo e precioso Sangue e, consolando-os docemente lhes predissestes a Vossa Paixão iminente.

Lembrai-Vos da tristeza e da amargura que experimentastes em Vossa Alma como o testemunhastes Vós mesmo por estas palavras: "a Minha Alma está triste até a morte".

Lembrai-Vos, Senhor, dos temores, angustias e dores que suportastes em Vosso Corpo delicado, antes do suplício da Cruz, quando, depois de ter rezado por três vezes, derramado um suor de Sangue, fostes traído por Judas Vosso discípulo, preso pela nação que escolhestes, acusado por testemunhas falsas, injustamente julgado por três juízes, na flor da Vossa juventude e no tempo solene da Páscoa.

Lembrai-Vos que fostes despojado de Vossas vestes e revestido com as vestes da irrisão, que Vos velaram os olhos e a face, que Vos deram bofetadas, que Vos coroaram de espinhos, que Vos puseram uma cana na mão e que, atado a uma coluna, fostes despedaçado por golpes e acabrunhado de afrontas e ultrajes.

Em memória destas penas e dores que suportastes antes da Vossa Paixão sobre a Cruz, concedei-me, antes da morte, uma verdadeira contrição, a oportunidade de me confessar com pureza de intenção e sinceridade absoluta, uma adequada satisfação e a remissão de todos os meus pecados. Assim seja!

Explicação e primeira oração de Santa Brígida sobre a Paixão de Cristo, devoção aprovada pela Igreja para meditar os sofrimentos de Jesus

Narrow dirt path winding upward through rocky terrain toward a distant hill at dawn, early spring vegetation sparse along the way, first century Jerusalem region landscape, golden morning light breaking over the horizon

Ofereço Esta Quarta-Feira Da Paixão

Senhor Jesus, ao começar este dia da Semana Santa, coloco em Tuas mãos este amanhecer e tudo o que ele traz. Sei que Te aproximas da Cruz, e que cada hora Te leva mais perto do Calvário.

Quero caminhar Contigo hoje. Ofereço-Te meu trabalho, minhas conversas, meus pequenos sofrimentos — que tudo seja unido ao Teu sacrifício que se aproxima. Que eu não Te abandone quando as coisas ficarem difíceis, como fizeram tantos na primeira Semana Santa.

Fica comigo, Senhor. E que eu permaneça fiel a Ti. Amém.

Oração matinal para quarta-feira da Semana Santa, oferecendo o dia e pedindo fidelidade a Cristo que caminha para a Cruz