Você Pede Perdão Ajoelhado — E Cobra De Pé
Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar. Sete vezes? A resposta vem direto: setenta vezes sete. Ou seja, sempre. Sem contabilidade. Sem limite.
E então Cristo conta aquela parábola que nos arranca o chão: um homem devia uma fortuna impossível ao seu patrão. Caiu de joelhos, suplicou, e foi perdoado de tudo. Tudo mesmo. Saiu livre de uma dívida que jamais conseguiria pagar.
Mas logo depois, esse mesmo homem encontrou alguém que lhe devia uma quantia ridícula — e o agarrou pelo pescoço exigindo pagamento imediato. O companheiro suplicou do mesmo jeito que ele havia suplicado. Usou as mesmas palavras. Mas não adiantou. Foi jogado na prisão.
Essa parábola retrata nossa própria realidade. Nós imploramos a misericórdia de Deus toda semana na Confissão. Recebemos o perdão de décadas de falhas. Saímos aliviados, perdoados, livres.
E então encontramos aquele familiar, aquele colega, aquela pessoa da comunidade — e cobramos. Guardamos mágoa. Mantemos distância. Relembramos ofensas.
A oração de Azarias na primeira leitura nos mostra o caminho certo: alma contrita, espírito humilde, pedindo misericórdia. Mas essa humildade precisa continuar quando saímos da presença de Deus e encontramos quem nos feriu.
Porque se você recebe perdão de joelhos mas cobra de pé, ainda não entendeu o tamanho da sua própria dívida.
Leituras de hoje: Daniel 3,25.34-43; Salmo 24(25); Mateus 18,21-35
Post confronta católicos que recebem misericórdia divina humildemente mas recusam perdoar outros, usando parábola do servo impiedoso e oração de Azarias sobre contrição