Quando Zacarias recuperou a voz depois de meses em silêncio, não disse qualquer coisa. Cantou o Benedictus, um cântico que a Igreja reza todas as manhãs há séculos (Lucas 1).
Esse pai que duvidou do anjo ficou mudo até o nascimento de João Batista. E quando finalmente pôde falar, suas primeiras palavras foram de louvor — não sobre si mesmo, mas sobre o que Deus estava fazendo em Israel.
A Igreja nos ensina a rezar este cântico ao amanhecer porque ele fala de um Sol nascente que nos veio visitar lá do alto. Cristo é essa luz que ilumina quem está nas trevas.
Bendito seja o Senhor Deus de Israel, que a seu povo visitou e libertou; e fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, seu servidor, como falara pela boca de seus santos, os profetas desde os tempos mais antigos, para salvar-nos do poder dos inimigos e da mão de todos quantos nos odeiam.
Assim mostrou misericórdia a nossos pais, recordando a sua santa Aliança e o juramento a Abraão, o nosso pai, de conceder-nos que, libertos do inimigo, a ele nós sirvamos sem temor em santidade e em justiça diante dele, enquanto perdurarem nossos dias.
Serás profeta do Altíssimo, ó menino, pois irás andando à frente do Senhor para aplainar e preparar os seus caminhos, anunciando ao seu povo a salvação, que está na remissão de seus pecados; pelo amor do coração de nosso Deus, Sol nascente que nos veio visitar lá do alto como luz resplandecente a iluminar a quantos jazem entre as trevas e na sombra da morte estão sentados e para dirigir os nossos passos, guiando-nos no caminho da paz.
Repare que Zacarias fala do menino João apenas no meio do cântico. Primeiro louva a Deus por Sua fidelidade, depois explica a missão do filho — preparar o caminho para Aquele que vem. João seria a voz que clama, mas Cristo é a Palavra.
Quando rezamos o Benedictus pela manhã, fazemos como Zacarias: começamos o dia reconhecendo que Deus cumpre o que promete.